Energia positiva para um banho e tosa tranquilo

Se o processo de banho e tosa for realizado com muita rapidez ou o profissional não souber manejar o animal com delicadeza, o pet nunca mais vai querer voltar – Foto: Julio Salvo
 

 

O processo de banho e tosa deve ser ofertado para o animal como um evento prazeroso

Qual tutor não gosta de entregar seu pet para o banho e tosa e receber de volta um animal limpo, cheiroso, bonito, feliz e com aqueles adereços feitos com capricho? Todos gostam! Mas existem vários fatores internos dentro desse processo que podem causar estresse para o animal. Por isso, os profissionais de banho e tosa precisam ter muito cuidado para não gerar estresse nos animais no momento que fazem seus procedimentos.

O primeiro fator que pode ser estressante para o animal é o ambiente. Se for um local com muito barulho, se o processo de banho e tosa for realizado com muita rapidez ou o profissional não souber manejar o animal com delicadeza, o pet nunca mais vai querer voltar. Segundo Iná Marins, comportamentalista animal, as reações de medo e ansiedade, que muitas vezes estão presentes no banho e tosa, podem gerar reflexos no animal. “Isso ocorre porque sentimentos são transmitidos através de sinais ou posturas, os quais ele identifica e, muitas vezes, acaba expressando reações semelhantes, como não se sentir seguro ao ver a postura do banhista ou o tutor com medo, agindo de forma agressiva, com a finalidade de sair daquela situação por receio e/ou insegurança”, afirma.

Além disso, os animais possuem grande sensibilidade para perceber e receber energias, por isso, se o tosador estiver com algum problema pessoal, se mostrar inseguro ou descontente com seu trabalho, o cão vai perceber essa energia e pode ficar mais estressado, amedrontado e não deixar tocá-lo. De acordo com Natália Espinosa, diretoria da Uau Escola de Estética Animal, de Sorocaba-SP, entender o processo da energia é fundamental. “Quando estamos trabalhando em um animal que está nervoso, com medo, ou que quer morder, a primeira coisa que temos de fazer é manter a calma para neutralizar a energia dele. Quando a situação persiste durante o procedimento, deixá-lo descansar por 10 minutos e fazer o profissional aproveitar essa pausa, pode ajudar na retomada do processo. Se for o caso, trocar o profissional durante o banho ou a tosa também pode resolver.”

E o tutor?

É importante destacar, também, a energia do tutor. Ele precisa tratar o banho e tosa como um evento positivo para o pet, falar do banho com alegria. “Não ficar nervoso ou com medo, não reforçar o comportamento agitado do animal. Dar bifinho, brincar e, principalmente, estabelecer uma relação de confiança com o tosador são meios de garantir um serviço mais seguro e tranquilo para todos”, ressalta Natália.

Por falar em tutores, muitos animais, ao simples fato de se afastarem dos seus donos por algumas horas, ficam ansiosos, tremem, e esse sentimento também pode deixá-los estressados durante o banho e tosa. Por isso, o profissional tem papel fundamental de entender esse pet, dar carinho, desenvolver a confiança dele e saber como lidar com a situação.

Além de tudo, é de extrema importância que o groomer goste de animais, e entenda de psicologia e comportamento canino para saber como melhorar seu bem-estar, ter a sensibilidade de dar aquela “pausa” e saber o que pode ou não fazer e quando. “Fazemos um carinho no animal e tocamos na parte do corpo que vamos fazer o procedimento para que, de certa maneira, ele fique um pouco mais descontraído, distraído e confie que aquele procedimento pode ser prazeroso, como no momento do corte das unhas”, afirma.

Importância do profissional

Além dos animais, os profissionais também devem ser assistidos. Muitos fatores influenciam para o estresse do tosador, o que reflete em sua produtividade e qualidade de vida. Alguns tutores não entendem o processo de banho e tosa, então cobram por agilidade. Algumas pessoas que trabalham em atendimento, por não entenderem tecnicamente do serviço, acabam marcando vários atendimentos seguidos, lotando a agenda dos profissionais e contribuindo para a sobrecarga da jornada de trabalho.

Agendar cachorros muitos difíceis para horários tardios é outro ponto. Quanto mais complexo o trabalho, dependendo do comportamento do animal e de fatores de risco, maior é a atenção necessária e o tempo dado ao animal. Com a agenda lotada e a cobrança dos tutores, os profissionais não conseguem se alimentar ou descansar adequadamente, nem realizar bons trabalhos. É nessas situações que o índice de acidentes aumenta, tanto para o animal, quanto para o profissional. “O banho e tosa é um procedimento delicado e que deve ser feito com calma”, destaca.

Para os tosadores de primeira viagem, Natália dá algumas dicas importantes: se formar em uma boa escola, continuar se especializando, praticar e buscar conhecimento sobre o comportamento animal

“O medo é um processo normal. Só não pode te cegar a ponto de você não prestar atenção no que está fazendo, e te impedir de buscar algo um pouco mais desafiador. O medo serve para te deixar com mais atenção naquilo que está fazendo”, finaliza Natália.


Por:

Vanessa Van Rooijen

Agradecemos:

Iná Marins – Comportamentalista Animal há 7 anos com especialidade em felinos.

Atuo na formação de profissionais da área e na integração de pets a família.

Instagram: @ina.marins

Natália Espinosa – Groomer internacional e diretoria da Uau Escola de Estética Animal, responsável pela formação de tosadores em Sorocaba-SP.

 

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